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V Anos - d' Pedaladas

 
 
 
 
 
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Dois dias, evidente aventura e um só objectivo.

Em cada praticante de BTT coabita a seu lado, a necessidade de aventura e de ultrapassar os seus próprios limites. Um dos seus objectivos é percorrer o caminho religioso para Santiago de Compostela, mas persiste no seu subconsciente a duvida “será que consigo lá chegar?”.
A nossa peregrinação pelo caminho Português de Santiago, tem início na madrugada do dia 4 de Novembro junto à igreja de Cepães com a bênção do Sr. Padre Marques.
Com 155 km para percorrer no primeiro dia, o percurso até Prado é efectuado em estrada e praticamente sem indicações do caminho Português. O dia começava a clarear e os trilhos começavam a surgir a espaços por entre campos e montes até Ponte de lima. Depois de um pequeno-almoço reforçado e com o sol a brilhar, aí sim, começavam as dificuldades até Valença. Com cerca de 38 km, os trilhos bastante danificados, onde a agua corre pelo tornozelo e outros com muita pedra e de inclinação acentuada, características naturais da bela região de Coura, era sem duvida a passagem mais difícil de todo o caminho.
Valença foi o local escolhido para o logrado almoço, mas a jornada era longa e tínhamos de passar para Espanha e continuar o caminho, com passagem na Sé Catedral em Tui e pelo túnel do Convento das Clarissas. Com os caminhos bem assinalados e ligeiros, rapidamente chegamos a Redondela ao albergue “Torre do Relógio” no centro da cidade, para o merecido repouso.
No segundo dia a chuva bateu à porta, mas rapidamente foi-se embora para nosso agrado. Tínhamos pela frente cerca de 95 km até chegar a Santiago de Compostela e muitos locais para conhecer e apreciar. Junto à Ria de Vigo e com paisagens extremamente bonitas, entre vinhas e pomares, a passagem pelo centro de Pontevedra é ligeira. Até Barro, local para almoço, os trilhos eram planos, com muita gravilha e riachos, onde não faltaram os furos. Já em Barro, as espectaculares cataratas da Ria Barosa apadrinhavam o delicioso polvo do restaurante “Comedor”. Os últimos 50 km alternaram em trilhos largos e rápidos por entre campos de cultivo e outros acentuados e bastante raizentos, propícios a quedas nos montes que antecediam a cidade mítica.
Depois de 250 km de pura camaradagem, a aproximação a Santiago de Compostela carregada de simbologia, é inexplicável. Um misto de alegria e satisfação, tantas peripécias pelo caminho, de muito esforço e algum sacrifício, a chegada à Catedral é no mínimo gratificante.
Já com alguma nostalgia, pró ano há mais.

 

 
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